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Redução de risco de desastres requer pesquisa transdisciplinar conectada à prática

A pesquisadora Irasema Alcántara-Ayala, do Instituto de Geografia da Universidad Nacional Autónoma, UNAM, de México, expos as razões pelas quais as pesquisas em Redução de Risco de Desastres (RDD) precisam deixar de ter caráter monodisciplinar e incorporar a transdisciplinaridade como condição para oferecer ao público e aos tomadores de decisão informações técnicas qualificadas, compreensíveis e úteis que contribuam para a prevenção, redução e mitigação de desastres. Na manhã do primeiro dia da II Conferência Internacional sobre Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável em Regiões de Montanhas: Conectando a ciência à prática, ela proferiu a palestra Gestão e Redução de Risco de Desastres: desafio para conectar ciência à prática.

Ela mencionou a anedota dos cegos descrevendo a parte que ticavam do elefante como uma analogia da percepção monodisciplinar tratando do desastre, apenas na parte que lhe toca a cada um, sem a noção integral do desastre. Estes, de porte grande, médio ou de pequena escala, estão se tornando mais frequentes, os danos e perdas continuam aumentando, não estão confinados aos países mais pobres e têm maior impacto nas populações mais pobres de países ricos e pobres. Em áreas de montanha, muitas vezes são os deslizamentos fatais de terra que podem ter como agravantes as condições mais adversas de acesso, informação e comunicações, atendimento de saúde, socorro e resgate, entre outros bens e serviços públicos.

Dra. Irasema apresentou o quadro de acordos internacionais que balizam a gestão e a redução de risco de desastres, entre os quais principalmente: o Marco de Hyogo para a Ação (2005-2015), sucedido pelo Marco de Sendai para a Redução de Risco de Desastres (2015-2030); a terceira Conferência Internacional sobre o Financiamento do Desenvolvimento (2015); os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU; e a Conferência

Segundo ela, desastres não são naturais, mas o resultado do encontro de riscos (ou perigos) do sistema natural com as vulnerabilidades socialmente constituídas dos sistemas humanos. A incorreta caracterização dos desastres como “naturais” ou “ambientais” tem prejudicado a ação de RRD e se refletido nas pesquisas, o que faz do entendimento que a sociedade tem do tema um dos mais importantes aspectos para a RRD. Também apontou a governança territorial como relevante para a RRD questionando aspectos do processo de tomada de decisão – se há transparência e responsabilização pelas decisões, como e quem as toma, se há diálogo no território para o processo decisório.

 

João Eugênio Diaz Rocha
MTb 19276 RJ


Postado: 19/12/2018